NEW TERRITORIES’ : A Última vez que vi Hong Kong

Publié le 27 mai 2014

A longa-metragem ’New Territories’ é uma primeira obra da realizadora francesa Fabianny Deschamps (reside entre Paris e Lisboa), um filme experimental, viagem iniciática que vive das cores do Oriente e da contaminação do documentário com a ficção. Foi o filme de encerramento do Acid (Association du Cinéma Indépendant pour sa Difussion), uma secção paralela que ganha cada vez mais importância no Festival de Cannes.

’New Territories’ é em primeiro lugar uma oportunidade para descobrir mais sobre uma excelente realizadora, com um um universo muito particular, que conta com quarto curtas-metragens, (’Histoires de Bonsai’, 2001, ’En Mon Sein’, 2003, ’Le grand Bassin’, 2006 e ’La Lisière’, 2009), no seu percurso como cineasta e algumas delas estreadas em festivais em Portugal. ’New Territories’ é a sua primeira longa, rodada integralmente na China, que cruza o drama fantástico com o documentário narrada quase inteiramente em voz off em mandarim, (apesar de se passar no Cantão chinês) sem diálogos, mas com um argumento muito consistente. O filme conta a história de um encontro improvável de duas mulheres opostas : Eva uma francesa e Li Yu, uma chinesa, que aparentemente vão cruzar-se (ou não ?), numa zona entre os dois estranhos mundos da metrópole de Hong Kong e China Continental, entre o sonho e pesadelo de uma sociedade disfuncional, marcada pelo comunismo de mercado e pela globalização. Li Yu procura fugir da pobreza da sua aldeia para encontrar marido nos Novos Territórios ; Eva, é uma mulher solitária e sensual que chega a Hong Kong para vender o Aquamation, um novo sistema ecológico de inseneração de cadáveres, através da hidrólise. Já que o enterro tradicional foi banido na China depois da Revolução Cultural, e como alternativa só existe a cremação. Por isso, Fabianny Deschamps envolve-nos em ’New Territories’, numa realidade, muito próxima do fantástico, onde coexistem, pessoas, espíritos e fantasmas, num filme cativante e imprevisivel, que agarra o espectador até ao fim. As imagens de guerrilha parecem arrancadas quase no momento pela capacidade de improvisação de Tommaso Fiorili, um excelente director de fotografia (com uma Cannon 5D), estão caregadas ora pelas cores fortes do oriente, ora pela beleza profunda da cidade de Hong Kong (faz lembrar às vezes ’Chunking Express’, o filme que revelou Wong Kar-wai). A extraordinária partitura musical de Olaf Hund, reforça no filme essa verdadeira viagem a uma irrealidade contemporânea de cinema total, que toca nos sentidos.

José Vieira Mendes, VISAO.SAPO.PT

Revues de presse

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